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Natal

         “Não sei se a terra subiu ou se o céu desceu”; sei apenas que a terra está no céu, porque o céu está na terra: é Natal!

E uma estrela vem de tão longe, das alturas do infinito, para nos mostrar um Menino que está tão perto, e confirmar que a festa do céu hoje é cá em baixo, onde o azul do firmamento marca encontro com o verde da esperança, esperança de uma salvação que vem do Alto, mas prefere brotar da terra: “Derramai, ó céus, das alturas, o vosso orvalho, e as nuvens façam chover o Justo; abra-se a TERRA, e faça germinar o Salvador”.

 

É aqui, no recôndito de uma gruta, no aconchego preparado pela mãe-natureza, em abrigo não logrado nas hospedarias “humanas” mas prontamente cedido pelos animais; é aqui, no berço improvisado onde se sacia o rebanho, que vamos encontrar Aquele que vem saciar a fome e a sede de salvação de toda a humanidade. E ao som de acordes de humildes pastores que tentam afinar a voz rude e sem trato com o fino coro dos anjos, sob o olhar atônito dos astros que pajeiam a estrela-guia, é neste cenário que se vislumbra o brilho de uma esplêndida aurora, e se ouve o anúncio messiânico do novo amanhecer daquela noite tão fria: “Nasceu para nós um Pequenino; um Filho nos foi dado. Traz nos ombros as insígnias da realeza, e seu nome é ´´Anjo do grande conselho``” (Is 9, 6).

 

Mas nossos sonhos de grandeza não nos permitem entender a intrigante mensagem da estrela. Insistimos em buscar nas alturas aquilo que o próprio astro insinua que está cá em baixo, na sutileza dos contrastes, na eloqüência da simplicidade, na fragilidade de um recém-nascido já revestido das insígnias da realeza, no sorriso de fé de pais tão modestos quanto felizes com aquela acolhida, na “finitude” de um ventre que pode aninhar o Infinito, no sacrário de uma manjedoura bucolicamente aquecida, no olhar inocente e reverente de animaizinhos extasiados diante de uma cena insólita, que transforma em templo o seu humilde dormitório, o único de portas abertas na periferia da mais pequenina cidade da Judéia: “E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo” (Miq 5, 2).

 

Presentes refinados, roupagem à última moda, faustos banquetes regados ao melhor vinho, clubes engalanados de luz e flores, suntuosos encontros “de família”, celebrações que nada perdem para uma grande festa “nas estrelas”, eis o Natal que estamos habituados a assistir, uma festa para a qual são convidadas tantas pessoas dentre amigos e familiares, enquanto o aniversariante, de fora, continua a bater e a ouvir as mesmas vozes que ecoam desde aquela noite fria de Belém: “não há vaga”!

 

Mas o Natal que lhe desejo, caro leitor, seja também de muita festa e alegria, encontro de amigos e congraçamento familiar, até mesmo com ceias festivas e trocas de presentes, desde que seja uma celebração no chão de nossa terra, em clima perfumado de amor, simplicidade e solidariedade, onde não mais se ouça o crucial “não há vaga” para o divino aniversariante, que hoje pede emprestado o rosto do pobre e do desempregado, do humilde e do discriminado, do idoso e do excluído, da prostituta e do drogado.

 

Saibamos todos acolher o Salvador que quer renascer nos nossos lares e fazer morada em cada coração que se faz presépio. E em êxtase de alegria e exultação, sintonizados com a classe sofrida dos “pastores” da moderna civilização, saberemos juntar nossa voz, ainda que “desafinada”, ao coro dos anjos, para, em uníssono, cantarmos: “Glória a Deus nas alturas, e PAZ na TERRA aos homens por Ele amados”.

 

 

 

F E L I Z    N A T A L !

 

 

Geraldo Alves de Souza

 

 

Postado por: Auxiliadora , em 21/01/2010 Artigo nº: 335 Categoria: Artigos anteriores Titulo do Artigo: Natal

 

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