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A mídia e suas influências?!
Até que ponto a nossa vida e o nosso pensamento são perpassados ou influenciados pela mídia? Os meios de comunicação têm o poder de nos formar ou de nos alienar diante de nossa realidade social, política, cultural ou religiosa? Qual deve ser o papel dos meios de imprensa junto à sociedade? Esses e outros questionamentos precisam ser debatidos e discutidos em sala de aula e nos mais variados ambientes que frequentamos.
A primeira resposta que vem a nossa mente é que os meios de comunicação deveriam ser imparciais e neutros em sua forma de comunicar os fatos. Mas eu pergunto: existe algo que seja imparcial e neutro em nossa vida??? Tudo o que somos e fazemos recebe a influência de nossa história de vida, do conhecimento que temos, da visão de mundo que possuímos e dos interesses que, consciente ou inconscientemente, dominam o nosso pensar. Aliás, quando dizemos que somos imparciais, significa que já tomamos uma atitude parcial. Quando afirmamos que agimos de forma neutra diante das situações da vida, significa que agimos de acordo com o conceito de neutralidade que temos, e não diante do fato em si. Por isso, a nossa ação será sempre mediada pela nossa visão de mundo, pela interpretação que fazemos dos fatos e pelos conceitos que temos das coisas ou das pessoas.
A verdade é que nós somos seres com uma grande capacidade de influenciar e de ser influenciado. Dizer que a mídia ou um determinado meio de comunicação não quer influenciar os seus leitores, ouvintes ou telespectadores é uma grande mentira. Escrevemos, falamos e produzimos programas de TV para que possamos influenciar as pessoas a partir do nosso ponto de vista. E como afirma Leonardo Boff: “todo ponto de vista é a vista a partir de um ponto”.
A pergunta a ser feita e debatida não é se a mídia deve ou não influenciar as pessoas, mas como essa influência deverá ser exercida. Existem comunicadores que tem a tendência clara de influenciar os outros, utilizando os meios de comunicação de massa, para tirar proveito próprio ou favorecer os grupos dominantes da sociedade. São profissionais que não estão preocupados com a verdade, mas sim com os benefícios que ganhará a partir de determinada influência social. E aqui é que entra a falta de ética profissional e pessoal.
Ser ético não é dizer que somos imparciais ou independentes em nossa forma de fazer comunicação, pois isso não existe. Ser ético é ser transparente. É deixar claro para as pessoas quais são os vieses e os valores que pautam a nossa ação comunicativa.
Eu me sentiria ofendido se alguém dissesse que os meus artigos são imparciais ou neutros, pois eu busco, através deles, refletir e transmitir os valores cristãos e humanos dos quais eu acredito e busco vivê-los no meu dia a dia.
O que se pode esperar de um verdadeiro comunicador cristão e formador de opinião é que ele seja parcial, isto é, transmita os valores e a conduta moral que ajudará a sociedade a ser melhor a cada dia. Lembre-se que todos nós influenciamos e somos influenciados. Então, cabe a nós influenciar as pessoas para o bem, para o bom, para o belo e para a verdade. A partir daí tenho certeza que a nossa comunicação será um grande serviço prestado a humanidade!!!
Prof. Dieikson de Carvalho
Pastoral da Comunicação