Pe. Ademir Vicente de Paula, sjc, dá testemunho vocacional e fala dos desafios das missões

Foi celebrada no último domingo (04), na Matriz de Sant’Ana , missa de envio do Pe. Ademir Vicente de Paula, que partiu para mais uma missão. A celebração foi presidida pelo pároco Pe. Cristiano Francisco de Assis e concelebrada pelo próprio Pe. Ademir e os outros padres da paróquia.

O religioso faz parte da Congregação Sagrado Coração de Jesus. O lavrense entrou para o seminário no ano de 1999, em Rio Negrinho, Santa Catarina. Foram 12 anos de caminhada até a ordenação. No período em que estava concluindo os estudos acadêmicos, fez a opção de trabalhar com missões.

Foi para Brasília, no POM, onde teve uma preparação durante vinte dias. Com a ordenação foi designado para o primeiro trabalho pastoral no Seminário de Lavras. “Foi minha grande surpresa, pois não imaginava que iria realizar minha primeira missão em minha cidade. Creio que temos que acreditar na providência de Deus”, conta. Em 2001 foi transferido para trabalhar em Juara, no Mato Grosso como vigário paroquial. Quando recebeu a notícia de que iria para as missões ficou feliz, mas ao mesmo tempo inseguro por não saber o que me aguardava. “Eu disse para o provincial da ocasião, que eu não me sentia forte para o trabalho, mais sentia forte desejo que poder ir”, relata.

O sacerdote tinha uma visão um pouco negativa da região do Mato Grosso. Daí a razão do medo do que o aguardava. Um Novo horizonte se abriu à frente dele, onde pode fazer uma grande experiência missionária, muito distante do que se diziam na ocasião. Cada contato com as comunidades sentia que realmente estava onde sempre devia estar. Cada desafio remetia para grandes conquistas. “Atendíamos 45 comunidades num raio de aproximadamente 250km. Havia desobrigas que duravam uma semana com aproximadamente 500km de estrada”.

Hoje, após 16 anos de Mato Grosso, Pe. Ademir segue para o segundo trabalho pastoral. Segundo ele o tempo é testemunha de o quanto é realizado como religioso nessa missão. “Sinto que Deus me colocou no lugar certo. Eu sempre disse em minha vocação que não escolheria lugares para eu trabalhar, apenas que eu pudesse viver em lugares que me proporcionassem a vivência da vida religiosa. Esta experiência posso dizer que tem sido possível”. Cada trabalho realizado, segundo o padre, dá a certeza que o caminho tem sido percorrido dentro da meta.

Desafios das missões

”A missão não é um lugar, penso eu. Qualquer pessoa que tem em seu coração o desejo de viver a radicalidade da Vida Consagrada pode adaptar-se à vida missionária”. Os missionários são aqueles e aquelas que aceitam os desafios propostos a cada passo. O Papa Francisco deixou isso bem claro: “Irmos às Periferias existências”, e elas estão em todos os lugares. Hoje Pe. Ademir diz que tudo que fez aqui poderia, de algum modo, realizar em outros lugares. A missão é a motivação como se faz cada atividade, naquilo que se exige para cada momento. E não pode ser algo que seja tão difícil que nunca se possa sentir-se realizado. Nunca realizamos nada, por menor que seja, sem que haja momentos de incertezas e inseguranças. Ninguém nasceu para realizar o reino de uma única forma ou de um único modo. E Pe. Ademir sente que Deus o colocou onde deveria estar.

Logo que ordenou, na primeira missa realizada na Paróquia Sant’Ana, ainda na sacristia, o padre pregador disse: “Nunca diga que foi transferido para onde não queria ir, pois mesmo que um superior tenha errado em uma transferência, ao seu ver, O Espirito Nunca Erra”. Para ele a razão única do existir é: “Consagrado para Amar”. Quando perguntam a ele: onde você está é melhor do que onde estava? Ele diz sempre que é diferente. “Ser diferente não necessariamente quer dizer que seja melhor ou pior. Não nos consagramos para um lugar determinado. Diferente sempre será. Todos os lugares precisam de alguém que os ame e em todos os lugares podemos sentir o amor de Deus”.

É com esse sentimento que Pe. Ademir segue para a próxima missão. Dessa vez o destino é Juruti Velho, no Pará. Comunidade Ribeirinha, que fica na margem direita do Rio Amazonas. A Congregação dos Padres Dehonianos assumiu essa região em 2017, atendendo um apelo do Papa Francisco feito aos bispos brasileiros, quando esteve no visitando o país em 2013. “Hoje vejo esse sonho se concretizar e, ao mesmo tempo, saber que posso colaborar com esse projeto da Igreja da Região Amazônica. Rezem por nós”.

 

 

Post Author: Lisa Fávaro